martes 3 de febrero de 2009

o presente da minha maria bonita

mi última tarde en fortaleza



a cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
a dor é inevitável.
o sofrimento é opcional.

carlos drummond de andrade

4 comentarios:

Ishtar dijo...

¡Cuanto tiempo Uberto!. Es difícil serte fiel con tantas desapariciones.
Hoy me ha pillado el poema con un cristal precioso en los ojos; por eso hoy tienen razón sus versos; porque hoy hay paz y dulzura en mis adentros. Sí, la vida es todo eso y más; y el sufrimiento, hoy, es opcional; mañana ya no sé, pero ¿a quién le importa?. Un saludo desde el cielo.

Jan de IanSá dijo...

Querido Uberto, eis agora, então, a magia do Drummond por completo:

VIVER NÃO DÓI

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos
conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

Beijos n'alma, tua Maria Bonita

uberto stabile dijo...

ishtar a veces siento que el tiempo me tiende trampas, utiliza atajos donde yo prefiero dar rodeos, espero no tardar tanto en amancerer mi blog. suerte en el cielo.

uberto stabile dijo...

mi querida maria bonita gracias por regalarme completo este extraordianario poema, prometo traducirlo y colgarlo para quienes quiźa no lean en brasileiro. beijos